sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Resenha #64: Quando Tudo Faz Sentido - Amy Zhang

      Hello, hello, can you clap your hands?
Ahahahahahahah... Tudo bem cocês?

Estou aqui hoje para resenhar um livro polêmico lido em setembro - sim, estou desde setembro com resenhas atrasadas, sorry -  que me deixou bem pensativa. Como vocês sabem, lido com crianças e adolescentes, e gosto de livros que me façam refletir sobre como tem sido a minha postura, como tenho lidado com os problemas de meus alunos. E esse foi mais um dos lidos para reflexão.

Imagem MLC

SINOPSE: Liz Emerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentara tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, aborda temas de abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As Vantagens de Ser Invisível, Nuvens de Ketchup e Meu Coração e Outros Buracos Negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro - que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) - mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera.


      O livro começa falando sobre as leis de Newton. De repente pula para um acidente de carro proposital (isso não é um spoiler!). A primeira frase do primeiro capítulo é "No dia em que Liz Emerson tenta morrer...", e a partir daí sabemos que o acidente foi proposital. E então, temos a história de Liz Emerson e sua tentativa de suicídio, mesclando com como era sua vida antes de seu período obscuro. O livro sapeia entre o dia do acidente de Liz, as pessoas que a amam e seus sentimentos, seus professores e suas reações, e em uma contagem regressiva fora de ordem, contando a partir de cinco meses antes de Liz Emerson bater o carro até o último minuto.


     O fato de não ser narrado na primeira pessoa facilita muito, pois assim podemos ver pontos de vista de diversas pessoas  diferentes. Liz era uma garota formidável, mas, ao mesmo tempo era maldosa com os outros, e não por ter uma personalidade ruim, mas, principalmente, para sentir que poderia alcançar uma felicidade que ela nunca sentia. Era uma garota solitária, apesar de ter grandes amigas pelas quais ela morreria, ela também sabotou as vidas dessas mesmas amigas por diversas vezes, tanto que se culpava por ser a causadora da infelicidade delas. Além de tudo, seu relacionamento com a mãe, não era dos melhores desde a morte de seu pai, quando ainda era criança. Após esse acontecimento, a mãe se preocupava em trabalhar muito, e a única data que ela realmente fazia questão de estar em casa, era no aniversário de morte do marido. E foi por isso que Liz quis morrer no mesmo dia, assim, a mãe choraria apenas uma vez no ano. Ela achava que a mãe era durona, mas, afinal, apesar da imensa dedicação ao trabalho e pouco tempo para a filha, Monica Emerson amava muito Liz. Sempre penso nos pais desses adolescentes que se matam... Como deve ser horrível morrer antes dos filhos!

"Enquanto se dirige à UTI, Monica Emerson vai aos poucos perdendo a compostura, que se despedaça e deixa um rastro atrás dela. Ela ainda está calma quando atravessa o primeiro corredor, o segundo, o terceiro. Mas, conforme se embrenha mais no hospital, ela começa a desmoronar..."

     Em determinado momento, o médico afirma a mãe e aos amigos de Liz, que ela estava em coma, que era forte, mas, que sobreviver, dependia apenas dela, e aí descobrimos aos poucos os motivos que levaram Liz a querer desistir de sua própria vida. Não achei que os motivos justificassem, ok, Liz era uma pessoa horrível na maior parte do tempo, e o pior, ela sabia disso, e por isso se odiava tanto, pelo fato de não conseguir ser alguém melhor, e por esses e outros motivos, preferia estar bêbada para conseguir lidar consigo mesma, até que chegou um momento decisivo de sua vida, momento esse que ela achou que a morte era a solução. Nunca vou entender como as pessoas chegam a essa conclusão, mas...

Imagem MLC

     Fator que eu achei interessante, foi que tentei entender quem estava narrando o livro, pois, apesar de ser narrado em terceira pessoa do singular, em algumas situações, o narrador usava a terceira pessoa do plural. Nós fazíamos, nós estávamos, nós ficávamos... E quando entendi quem era a pessoa, achei o máximo, a criatividade explosiva, afinal, quando que eu poderia imaginar que a narradora era... Rá! Peguei vocês! Não vou falar, nem sou doida, rs.


"Estamos deitadas no cobertor xadrez vermelho, com mato e flores presos na flanela à nossa volta. Nosso sopro leva os pedidos de dente-de-leão cada vez mais alto, até eles se tornarem as nuvens que observamos. Às vezes procurávamos animais, sorvetes de casquinha ou anjos, mas hoje ficamos apenas deitadas, com as palmas das mãos unidas e dedos entrelaçados, e sonhamos. Imaginamos o que o futuro nos reserva.
Um dia, ela vai crescer e achar que a morte é um anjo que vai lhe emprestar o poder de descobrir.
Infelizmente, a morte não tem o hábito de emprestar asas!" (p.15)

      Entre as pessoas que não saíram do lado dela, ou seja, sua mãe e suas duas melhores amigas, estava também um garoto tímido lá no canto, Liam. Ele viu o carro de Liz caído na ponte, reconheceu, chamou o resgate e ficou o tempo todo lá, tentando ser invisível, mas, com uma preocupação genuína por Liz. Durante as 24 horas que sabemos que Liz esteve naquele quarto em coma, temos a oportunidade de conhecer mais dela mesma e de outras pessoas, e teve de tudo naquele hospital. Momentos de meditação, soco na cara e foto do soco, muitos cafés, pessoas desconhecidas se conectando... Apesar de Liz se sentir inútil, vemos aqui como era a vida de diversas pessoas que estavam sempre com ela e como seria horrível sem ela... 

     E então, nós vemos a luta dos amados de Liz para tentar fazer com que ela tente sobreviver, para que ela reaja, e ficamos na expectativa se ela vai reagir ou não. E o que nos aguarda no final já é o esperado, mas ainda assim é diferente do que imaginamos. Amy Zhang escreve com uma delicadeza nas palavras que nos deixa absortos na leitura, li o livro em poucos dias, e demorei mais de dois por falta de tempo mesmo, senão, teria lido em no máximo dois, rs. Nunca tinha lido nada da autora, esse é seu primeiro livro e não sei se ela tem outro, não pesquisei, rs, mas, a capa me chamou a atenção, a sinopse também, e não me arrependo, recomendo para todos que gostem dessa linha de literatura. Amy Zhang é chinesa, mas, cresceu em Wisconsin e atualemente mora em New Jersey.


Quando Tudo Faz Sentido  (Falling Into Place) - Amy Zhang. Editora Rocco, 259 páginas em eBook. Recomendo!

      Ficando por aqui, pessoas, vou dormir! 
Partiu, beijo da Ci pra todo o Brasil!

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