terça-feira, 21 de novembro de 2017

Resenha #63 - Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick

    Oieee...
Quem aí já leu Matthew Quick? Uns três anos atras eu li O Lado Bom da Vida (primeira resenha do blog foi desse livro, yey!) e achei a escrita dele bem light, agora, confesso que ele me surpreendeu com o livro da resenha de hoje, pois, como é um tema de bullying e suicídio, eu estava esperando algo bem mais pesado, e me vi surpresa com a leveza que o autor conseguiu usar em uma temática tão difícil.

Bora lá?


Imagem MLC


SINOPSEHoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes da sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Siverman, o professor que agora está ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem aos poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

     A trama é narrada em primeira pessoa, o que na minha opinião, traz pontos negativos e positivos. Positivos pois você consegue se colocar na pele do personagem, e negativo por não dar a oportunidade de outras pessoas brilharem no enredo. Leonard está cansado. Cansado de tudo. Sua mãe não mora com ele, é estilista em New York e deixou seu filho se virar há um tempo em New Jersey, aparecendo só de vez em quando. Ele não tem muitos amigos, seu amigo de verdade é seu vizinho Walt, um senhor de idade que o apresentou aos filmes clássicos de Bogart, e dá pra notar que eles se amam muito. É manhã de seu aniversário de 18 anos e Leonard está sentado na mesa de sua cozinha comendo um prato de mingau de aveia com a arma que pertenceu ao seu avô na Segunda Guerra Mundial ao lado do prato e imaginando que aquela imagem poderia um dia vir a ser exposta em um museu de arte. Ele tinha planejado tudo: daria quatro presentes para quatro pessoas importantes na vida dele, sairia da escola, seguiria seu ex-melhor amigo Asher, o mataria com um tiro, correria para o bosque atrás da casa do rapaz e meteria uma bala na sua própria cabeça. Fim. Ao menos era esse o plano, mas, as coisas não aconteceram exatamente da maneira como o garoto tinha planejado.


     Eu fico louca quando esquecem do meu aniversário. Tudo bem que teve um ano que até eu me esqueci, hahaha, mas, ser deixado de lado pela mãe, não conseguir ter uma vida escolar tranquila, conviver com uma culpa que não está em si mesmo e ainda por cima ser esquecido no dia do seu aniversário, é cruel demais!


"Eu me pergunto qual a idade apropriada para a gente parar de se lembrar dos aniversários dos outros. Quando paramos de precisar que as pessoas ao nosso redor reconheçam o fato de que estamos envelhecendo, mudando e ficando cada vez mais perto da morte? Ninguém diz isso para você. É como se todo mundo se lembrasse do seu aniversário todo ano, e, de repente, você não soubesse maus quando foi a última vez que alguém cantou parabéns para você, nem quando pararam de cantar. Você deveria se lembrar, certo?"


Imagem MLC


     Leonard cortou seus longos cabelos naquela manhã antes de ir para a escola, e passou na casa de seu velho amigo, lhe deixando um presente e falando coisas no mínimo estranhas. Saiu correndo para não chorar na cara dele, e tinha certeza que ele sofreria mais do que sua mãe. Na escola entregou outros dois presentes, um para um colega de outra etnia, Baback, e outro para seu professor favorito, Herr Silverman. O colega não acreditou nas boas intenções do rapaz, e o professor identificou os típicos sinais de um suicida em seu aluno, e é aí que as coisas começam a mudar de rumo. As leis americanas são muito rígidas quando se trata de aluno/professor, por exemplo, um professor jamais pode conversar a sós com um aluno, muito menos ter contato de celular. Leonard questiona seu professor o motivo de ele nunca usar camisa de mangas curtas, e Herr Silverman lhe promete que contará se ele se mantiver vivo. Ainda faz com que o garoto prometa que caso tente se matar, ele ligará para o professor, e este lhe contará o que ele quiser saber. Parei por aqui.

    O que mais me chama a atenção em livros com essa temática, é que geralmente o suicida não é uma pessoa horrorosa, nós realmente criamos vínculos com eles, e Leonard não é diferente, ele foi uma das melhores pessoas que conheci esse ano, rs. E uma coisa que também me irrita muito em livros com essa temática é o pouco cado dos pais em relação aos filhos. Conforme vamos avançando na leitura, vemos claramente os  motivos de Peacock de querer acabar com a vida de Asher e com sua própria, e pior: conseguimos entender os motivos pelos quais ele despreza sua mãe. Ela não é uma pessoa ruim que maltrata o filho, mas, aquele tipo de pessoa que tampa o sol com a peneira, que tira conclusões precipitadas, que acredita no que quer e não dá ouvidos a ninguém. Ela é desprezível mesmo, porque sempre pensei em mãe como alguém sagrada, e, não me conformo que podem existir mães que se comportem dessa maneira - por mais que eu saiba que elas existem, já presenciei isso com alunos meus...

Imagem da internet

     Também fiquei emocionada com o papel do professor nesse livro. A única pessoa que Leo não queria decepcionar era seu Herr Silverman, e por isso que ele precisava deixar um presente para ele. E naquele dia, naquele momento, ele era tudo o que o garoto precisava. E aqui é o ponto onde digo que me orgulho da minha profissão apesar de ser uma profissão desprezada pela sociedade - que diga-se de passagem, se hoje você está em algum lugar, é porque um professor te ensinou a ler, a escrever e o seu ofício, ou seus professores na faculdade na verdade não são professores, são árvores? O papel do professor vai muito além da sala de aula, afinal, nós passamos mais tempo com os alunos do que muitas mães e pais, e, por isso eu gosto de criar um vínculo e estabelecer uma amizade, pois, assim, eles sabem que podem contar comigo. E foi o que esse admirável professor fez, e eu gostaria muito que o livro não fosse em primeira pessoa, pois, eu adoraria ver alguns capítulos narrados por ele. Na conversa deles dois, podemos ver realmente quem Leonar Peacock é, e sofremos junto com ele.

     Como disse lá em cima, apesar de ser um drama pesado, com umas pitadas de humor negro, Perdão, Leonard Peacock não tão forte de se ler, quanto outros livros com o mesmo tema por aí. É tão fácil gostar de Leo e de seu professor... Quero mais livros assim! Matthew Quick é realmente um cara que sabe como convencer e emocionar sem apelar tanto. A trama toda acontece em pouco mais de 24 horas, o que nos deixa esperançosos de que Leonard realmente conseguiu sobreviver. 

Perdão, Leonard Peacock (Forgive Me, Leonard Peacock) - Matthew Quick. 224 páginas, Editora Intrínseca . Recomendo, sim!


     Então era isso, pessoas! 


Beijoooooo

6 comentários:

  1. Oieeeeeee Cecyyyyyy
    Bom demais ter você de volta viu sua linda!!!!!!!!!
    Seu cantinho está um charme, lindo demais, lindo de viver, eu ameeeei <3

    Esse livro ainda não li e pela sua resenha é envolvente e interessante.
    Até porque houve um boom de obras tratando de suicídio e esse parece seguir uma ordem diversa, com outros componentes e ponto de vista instigante.
    Fiquei curiosa e vou colocar na minha lista dos desejados!
    Bjs Luli
    Café com Leitura na Rede

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    1. Oie Luliii!!!
      É bom estar de volta também! Menina, a internet tem estado horrível nesses últimos dias, tenho tentado postar sem sucesso, fica horas rodando e não carrega, mas, hoje ao menos duas vão pro ar, rs.
      Realmente, concordo que houve um booom de livros relacionados com o tema, mas, sabe quando você lê algo que deveria ser pesado, mas, não é? O autor soube lidar confortavelmente com o assunto, de forma que as trágicas ações de Leo fossem mostradas de uma forma não tão pesada assim. Eu gostei muito!

      Beijooooo

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  2. Oi, Cecyyyy, tudo bem?
    Eu sempre quis ler "O lado bom da vida", mas sempre fui adiando a leitura. Esse outro parece ser incrível, principalmente pela temática que ele traz. Mais um que vá pra minha lista.
    P. S. Amei seu cantinho com esse visu novo ❤.
    Um beijão

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    1. Oi Mi!
      O Lado Bom da Vida é bem divertido de se ler, eu gostei bastante, dei boas risadas, apesar de ele também tratar de um tema difícil como transtorno mental e tals. Esse já não é um livro pra se rir, ao contrário, apesar de ter rido em um ou outro momento, esse é bem.mais reflexivo.

      E obrigada por aprovar a nova cara do meu cantinho!

      Beijoooo

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  3. pode reѕenнar o мeυ depoιѕ de ler
    voce ja vιυ o ғιlмe de мe вeғore yoυ?

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    1. Oie Macky! Quanto tempo não aparece por aqui, hein?
      Claro que vou resenhar o seu, já salvei no Wattpad, vou começar a ler em breve! Quanto ao filme, não assisti, não, mas, o livro me deixou desidratada. Tem resenha dele aqui no blog, caso queira dar uma pesquisada, fique a vontade!

      Beijooooo

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